Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram a quinta-feira com novas perdas e abaixo do nível psicológico de 200,00 centavos de dólar por libra. O sentimento baixista predomina nos negócios e as quedas são constantes, com o mercado já avaliando um novo patamar de preços para o grão.
Ao longo do dia, quedas consideráveis chegaram a ser reportadas, com o nível de 195,00 centavos sendo testado. Nas baixas, porém, foram reportadas algumas compras, principalmente de comerciais. As perdas são baseadas em aspectos técnicos, num reflexo daquilo que vinha sendo evidenciado nos gráficos, que mostravam preços em um patamar relativamente bom, porém longe de médias móveis de longo prazo, que são referenciais importantes para a formação de tendências.
Por sua vez, alguns operadores estão focados em dados como a safra brasileira de café deste ano, que poderia diminuir consideravelmente a pressão de oferta limitada, que afeta o segmento há, pelo menos, três temporadas. Entretanto, dados oficiais do governo do Brasil indicam que a safra deste ano será menor que a anteriormente esperada, devido, principalmente, aos problemas climáticos no momento do pegamento e da formação dos frutos.
No encerramento do dia, o março em Nova Iorque teve queda de 110 pontos com 199,30 centavos, sendo a máxima em 202,25 e a mínima em 195,90 centavos por libra, com o maio tendo retração de 135 pontos, com a libra a 201,20 centavos, sendo a máxima em 204,50 e a mínima em 197,80 centavos por libra. Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição março registrou alta de 24 dólares, com 2.167 dólares por tonelada, com o maio tendo valorização de 60 dólares, com 2.039 dólares por tonelada.
O mercado em queda livre. Essa é a avaliação de analistas internacionais, que apontaram que o café continua efetivamente pressionado, quebrando suportes de vários meses e chegando aos níveis mais baixos desde novembro de 2010. Os monitores técnicos são francamente baixistas e sugerem que a tendência é de que novas perdas possam ser processadas nos próximos dias. As perdas consolidadas ao longo desta semana, ampliam apenas um quadro de queda iniciado desde o pico de maio de 2011. No entanto, no período de dezembro do ano passado até este fevereiro, foi possível se notar uma “trégua” nas perdas, com alguma pressão de compras e com patamares de preço sendo respeitados.
Entretanto, a quebra do suporte de dezembro-fevereiro no último dia 13 de fevereiro fez com fosse desencadeada uma série de liquidações especulativas e de fundos. Terry Gabriel, estrategista técnico da Ideaglobal, indicou que “o café está em colapso. Nós quebramos muitos suportes. Quando tivemos o rompimento da baixa de dezembro, em 215,25 centavos e a recente mínima de dezembro, em 213,85 centavos, também quebramos uma média móvel de 100 semanas.
Sem também um referencial de suporte como esse, o café acelerou as perdas”, disse. Olhando à frente, Gabriel complementou que “historicamente, a após uma volatilidade dentro de uma base semanal, a tendência é termos algumas altas. Entretanto, diante do que se mostra, mesmo com um cenário de sobrevenda, essa quebra de níveis de baixa pode continuar a sustentar o quadro negativo e nós esperamos novas perdas”, observou.
Ao avaliar esse quadro atual de pressão sobre os preços numa perspectiva de duas a quatro semanas, Gabriel apontou que os bears (baixistas) deverão “eleger” como alvo o intervalo de 178,00/174,00 centavos por libra peso. E o bottom line? “O mercado se mantém em queda, desde maio de 2011, e, assim, eu estaria short no momento ou seria um vendedor modesto”, complementou o analista, que vê o mercado com uma resistência em 205,00 centavos e, posteriormente, em uma área de 213,00/219,00 centavos.
As exportações de café do Brasil em fevereiro, até o dia 14, somaram 15, totalizaram 771,147 sacas de café, alta de 8,75% em relação às 709.059 sacas registradas no mesmo período de janeiro, informou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram alta de 5.038 sacas, indo para 1.569.202 sacas. O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 34.151 lotes, com as opções tendo 3.846 calls e 1.419 puts.
Tecnicamente, o março na ICE Futures US tem uma resistência em 202,25, 202,50, 203,00, 203,50, 204,00, 204,50, 204,90-205,00, 205,50, 205,90-206,00, 206,50, 207,00, 207,50, 208,00, 208,50 e 209,00 centavos de dólar por libra peso, com o suporte em 195,90, 195,50, 195,10-195,00, 194,60-194,50, 194,00, 193,50, 193,00, 192,50, 192,00, 191,50, 191,00, 190,50 e 190,10-190,00 centavos por libra.
Fonte: AgnoCafe



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