O Conselho Nacional do Café (CNC) fez uma análise do comportamento do mercado nesta semana, destacando que a queda verificada até quinta-feira, dia 16, acumulou perdas de 1.600 pontos para o arábica na Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE Futures). Operadores de mercado apontam grande venda de fundos e especuladores que detinham posições compradas, observa o CNC.
Para o Conselho, possivelmente a causa dessas quedas ocorridas nas bolsas de café de Nova York (ICE US) e São Paulo (BM&FBovespa), nos últimos meses, deve-se à expressiva transferência de estoques dos países produtores para os
países importadores. De acordo com dados da Organização Internacional do Café (OIC), o total exportado pelos países produtores alcançou o volume recorde de 103,7 milhões de sacas em 2011, com um aumento de 7% sobre o ano
anterior, indica a nota do CNC. Os bons preços praticados pelo mercado, no ano passado, estimularam fluxos significativos de embarque, os quais levaram a uma redução dos estoques de muitos países exportadores, ao passo que aumentavam
nos países importadores. Estima-se que nos principais países compradores havia 22,3 milhões de sacas em estoque, no final de setembro de 2011, comenta.
Por outro lado, no plano interno, teremos baixíssimos estoques de passagem da safra 2011/12 para a próxima, o que pode trazer suporte aos preços, acredita o Conselho Nacional do Café. Pelas estimativas do mercado, ao final de dezembro de 2011, os estoques de café no Brasil giravam ao redor de 16 milhões de sacas, adverte. “Considerando que as indústrias brasileiras deverão consumir mais 7 milhões de sacas para atender a demanda interna de janeiro até maio, teríamos um volume máximo de 9 milhões de sacas que poderiam ser exportadas nos primeiros cinco meses do ano, o que daria uma média de 1,8 milhão de sacas ao mês, bem abaixo das médias mensais verificadas nos últimos anos. Para se ter idéia do possível impacto desta retração nos embarques, basta lembrar que, somente nos três últimos meses de 2011, o Brasil
exportou mais de 9 milhões de sacas”, avalia o CNC.
“O momento, portanto, é de cautela. Acreditamos que os produtores terão condições melhores de comercialização entre os meses de março a maio deste ano. Também para produtores que pretendem fazer vendas futuras ou vender
CPR’s, acreditamos que terão melhores oportunidades nesses últimos meses que antecedem a entrada da nova safra, indica a nota.
Para o CNC, no restante do ano deveremos assistir novamente a grandes volatilidades, o que não chega a ser uma novidade para os produtores. Apesar da safra de ciclo alto, a demanda segue firme e os estoques mundiais devem
permanecer em níveis ainda ligeiramente abaixo das médias históricas. O fluxo de venda da safra brasileira será decisivo para o comportamento dos preços no mercado, acredita. Se escoados de forma ordenada, os estoques em poder dos
países importadores poderão diminuir, favorecendo a manutenção de bons preços no mercado, pondera.
O CNC destaca que na reunião do CDPC desta semana criou-se um grupo de trabalho para apresentação do Plano de Safra que deverá ser aprovado na reunião do Conselho no próximo mês de Março, quando espera contar com recursos substantivos para propiciar o ordenamento da Safra no Mercado.
“Concluindo, é bom destacar a estimativa de Produção e Consumo publicada pela Organização Internacional do Café (OIC), onde se estima a produção mundial de Café em 130,9 milhões de sacas e o consumo em 139,1 milhões de sacas. Portanto o consumo será superior a produção, o que reforça a nossa posição em relação à disponibilidade de Café a ser comercializado”.
O Conselho Nacional do Café finaliza reiterando a informação de que já estão disponíveis para os produtores, recursos do Funcafé para a colheita, e que a partir do início da safra mais recursos serão alocados.
Fonte : Safras & Mercado



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