Café : Dólar fortalecido pode manter pressão em Nova York – 12/03/2018

São Paulo, 12/03/2018 – Os contratos futuros de café arábica iniciam a semana na tentativa de recuperação na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). O dólar fortalecido, no entanto, dificulta uma puxada nas cotações do grão.

Na sexta-feira, entretanto, a moeda norte-americana recuou por causa do relatório de empregos nos Estados Unidos. Embora tenha havido mais contratações – foi o maior número desde julho de 2016 – , analistas ponderaram que os salários ficaram mais baixos que o esperado, o que não deve pressionar tanto a inflação americana e nem o Federal Reserve (FED, banco central dos EUA) a subir muito o juro no País neste ano.

Internamente, o dólar também caiu em relação ao real, acompanhando o movimento no Exterior. Corretores observaram que o IPCA de fevereiro de 0,32%, pouco acima da mediana das projeções do mercado (0,31%), ajudou a apoiar o recuo ante o real porque alimenta a perspectiva de corte da Selic neste mês. A divisa norte-americana fechou cotada a R$ 3,2518 no mercado à vista, em baixa de 0,31%.

Os fundos de investimento estavam com saldo líquido vendido de 50.727 lotes no dia 6 de março, em comparação com 53.355 lotes no dia 27 de fevereiro, mostrou na sexta relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês), com posicionamento de traders, considerando futuros e opções.

Já os fundos de índice cortaram um pouco o saldo líquido comprado no período de 40.801 lotes para 40.520 lotes. Levando em conta apenas o mercado futuro, os fundos diminuíram o saldo líquido vendido de 40.999 lotes para 36.844 lotes.

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) divulgou na sexta que o País exportou 2,35 milhões de sacas de 60 kg de café em fevereiro, o que corresponde a uma queda de 9,1% em comparação com o mesmo mês de 2017. No primeiro bimestre de 2018, o País exportou 5,040 milhões de sacas, redução de 3,8% em comparação com o mesmo período do ano passado (5,237 milhões de sacas). Em termos de receita cambial, houve queda de 12,5%, para US$ 807,98 milhões. O preço médio de exportação cedeu 9,1%, de US$ 176,36 para US$ 160,29 a saca.

O clima continua chuvoso nas regiões produtoras brasileiras, favorecendo a formação dos grãos. No entanto, a Somar Meteorologia informa que o início desta semana é marcado por tempo firme na faixa sul mineira, em boa parte do Estado Paulista e também em boa parte do Estado do Rio. Chove apenas deforma isolada nos extremos sul e noroeste de São Paulo.

“As chuvas mais volumosas e generalizadas continuam ocorrendo entre o Espírito Santo e Minas Gerais, ainda pela influência de um corredor de umidade que é organizado por um sistema de baixa pressão atmosférica, agora bastante afastado da costa do Estado capixaba”, prevê a Somar.

Pelos indicadores técnicos, os futuros de arábica tem suporte a 118,55 cents (mínima de 22 de fevereiro) e 115 cents. A resistência está em 124,60 cents e 128,15 cents.

Os futuros do café trabalharam no terreno positivo em boa parte do pregão de sexta, mas acabaram encerrando em leve queda. O vencimento maio caiu 0,12% (15 pontos), a 120,15 cents. O mercado registrou máxima de 121,30 cents (mais 100 pontos) e mínima de 119,85 cents (menos 45 pontos).

Os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) informam que as cotações do arábica tiveram leve queda na sexta no mercado físico. O Indicador Cepea/Esalq do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista, fechou a R$ 430,28/saca de 60 kg nesta sexta-feira, 9, queda de -0,1% na comparação com a quinta, 8. Conforme o Cepea, os preços do café arábica encerraram a semana praticamente estáveis no mercado brasileiro. As cotações foram sustentadas pelos futuros da variedade, que trabalharam perto da estabilidade durante o dia, e pela retração de agentes, cenário que também dificultou os negócios.

O mercado de robusta manteve-se calmo na sexta, em relação ao dia anterior. O Indicador Cepea/Esalq do tipo 6, peneira 13 acima, fechou a R$ 305,44/saca de 60 kg, leve alta de 0,2% em relação à quinta. Para o tipo 7/8, bica corrida, a média ficou em R$ 296,05/saca de 60 kg, estável (-0,1%) no mesmo comparativo – ambos à vista e a retirar no Espírito Santo.

Fonte : Agência Estado

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