Café : Artigo : Café sobe 12% em Quatro Sessões , por Rodrigo Costa – 03/06/2019

A última semana de maio, encurtada aqui nos Estados Unidos pelo feriado que marca extraoficialmente o começo do verão no hemisfério norte, o Memorial Day, levou os investidores a liquidar parte de suas posições no mercado acionário, e o mês se encerra com quedas generalizadas dos principais índices americanos, assim como na Europa e na Ásia.

O índice do dólar, DXY, devolveu na sexta-feira os ganhos acumulados recentemente em função de uma renovação de apostas de cortes de juros pelo FED frente aos riscos de um arrefecimento global provocado pela guerra comercial com a China.

O CRB afundou para níveis do começo de janeiro último, empurrado pela contínua queda das commodities energéticas e dos metais industriais, sendo que dentre os ganhadores (em quatro dias) o café arábica da ICE liderou com 12% de alta, seguido pelo suco de laranja (+7.38%), os grãos (+5%) e o açúcar (+3.775).

O robusta ficou um pouco atrás, apreciando 8% em quatro sessões e alargando a arbitragem para US$ 38 centavos por libra-peso.

A alta não poderia vir em melhor momento para todos os participantes, aos torradores por já estarem comprando os mercados futuros há algum tempo, aos comerciantes pela necessidade de cobrir suas vendas e ao produtor por ajudar a vender café acima de R$ 400.00 novamente (longe do ideal, mas melhor do que vinha sendo praticado), no momento onde a necessidade de dinheiro é maior, a colheita.

Negócios em maiores volumes foram reportados nas praças de negociação brasileira, assim como fluiu mais café nas outras origens. Fixações de preços de vendas feitas em consignação atraíram quem vinha apostando em uma alta e sofrendo há bastante tempo.

Os diferenciais de reposição mais largos sabiamente parecem não estarem sendo transferidos para as ofertas internacionais, potencialmente podendo dar algum folego maior para as cotações.

Do lado fundamental muitos brasileiros tem reportado rendimentos bem mais baixos do que o esperado e qualidade prejudicada pelas chuvas e pelas maturações desuniformes dos grãos.

Em um cenário onde o dólar americano desvalorizou bastante, o Real firmou mais do que as outras moedas emergentes, as commodities enquanto classe de ativo de investimento cedem, e os fundos tem sido forçados a recomprar suas apostas de baixa, fica difícil creditar à alta apenas a questão de qualidade e da renda.

Nota-se um desconforto geral com os preços, natural por estarem baixos como estão, mas por outro lado a percepção é de oferta suficiente para passar por este ano de déficit, e poucos se encorajam em ser mais agressivos ficando comprados de forma mais estendida, dado o carrego que onera em mais de 15% posições mais alongadas, quando então há um potencial de safra recorde.

Cabe a cada participante entender o contexto e analisar não apenas o resultado que melhor se aplicaria a suas posições, ou seja, não olhar o mercado de forma apaixonada, mas sim tentar interpretar as inúmeras variáveis que compõe as cotações.

A torcida é pela manutenção de ganhos e se possível uma sequência de outras altas – como grande parte dos participantes do Coffee Dinner em São Paulo não conseguiram deixar de expressar.

O início do inverno brasileiro e o comportamento dos operadores em estarem renovando suas apostas de baixa – estratégia que na sexta-feira deu bem errado e forçou as mesas proprietárias a saírem correndo para cobrir as vendas especulativas feitas no dia – vai trazer mais volatilidade, muito bem-vinda, por sinal.

A proximidade da média-móvel de 200 dias, US$ 107.20 centavos por libra para o contrato de julho, e o rompimento que já aconteceu da mesma para o gráfico contínuo da segunda-posição (US$ 103.90 centavos), dão esperança aos altistas, muito embora uma correção de indicadores técnicos sobre vendidos é mais provável acontecer.

Um fechamento abaixo de US$ 99.50 centavos por libra devolve aos baixistas a direção do mercado.

Uma ótima semana e bons negócios a todos.

Rodrigo Costa*

*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

0 comentário(s)

Escreva um comentário:

Nome:
E-mail:
Site: (opcional)
Comentário:

Outros artigosIr para página inicial

Café : Clima adverso e bienalidade reduzem safra do Brasil em 20,5% – Conab – 17/09/2019

Café : Clima adverso e bienalidade reduzem safra do Brasil em 20,5% – Conab – 17/09/2019(0)

Porto Alegre, 17 de setembro de 2019 – A safra do café produzido no Brasil este ano é influenciada pela bienalidade negativa e afetada pelas más condições climáticas, o que levou a uma queda de mais de 20 % em relação a 2018, com uma produção total estimada em 48,99 milhões de sacas beneficiadas. Os

Café : Chuvas atingem regiões na próxima semana e regularizam em outubro – 17/09/2019

Café : Chuvas atingem regiões na próxima semana e regularizam em outubro – 17/09/2019(0)

Porto Alegre, 17 de setembro de 2019 – As chuvas devem voltar à grande parte das regiões produtoras de café do Brasil até meados da próxima semana, entre os dias 23 e 25 de setembro. A avaliação é do agrometeorologista da Rural Clima, Marco Antônio Santos, que falou à Agência SAFRAS. Neste próximo final de

Café : Mercado em Nova York volta a níveis de um mês atrás – 11/09/2019

Café : Mercado em Nova York volta a níveis de um mês atrás – 11/09/2019(0)

São Paulo, 11/09/2019 – Os contratos futuros de café arábica tiveram boa alta ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), dando sequência aos ganhos desde sexta-feira passada. O mercado voltou a ser cotado acima de 100 centavos de dólar por libra-peso, nível que não era observado há um mês (9 de agosto), considerando

Café : Exportações chegam a 711 mil sacas em setembro – Secex – 10/09/2019

Café : Exportações chegam a 711 mil sacas em setembro – Secex – 10/09/2019(0)

 Porto Alegre, 09 de setembro de 2019 – As exportações brasileiras de café em grão em setembro, até o dia 08, com 05 dias úteis contabilizados, foram de 711.000 sacas de 60 quilos, com receita de US$ 87,3 milhões e um preço médio de US$ 122,80 por saca. Como comparação, em agosto de 2019 as

Café : Contratos em NY podem ter encontrado piso em 93,40 cents – 10/09/2019

Café : Contratos em NY podem ter encontrado piso em 93,40 cents – 10/09/2019(0)

São Paulo, 10/09/2019 – O mercado futuro de café arábica deu sequência ontem aos ganhos de sexta-feira passada na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Os contratos podem ter sido sustentados em grande parte pela cobertura de posição vendida pelos fundos de investimento. Os fundos aumentaram o saldo líquido vendido de 46.149 lotes no



Cotações - Café, Dólar, Índices


  Café NY
Ativo
Último
Var.
Fech.
Setembro/2019
96.85
-3.95
96.85
Dezembro/2019
100.55
+0.20
100.35
Março/2020
104.20
+0.25
103.95
Maio/2020
106.50
+0.20
106.30
Julho/2020
108.55
+0.15
108.40
 
  Café BMF
Ativo
Último
Var.
Fech.
Setembro/2019
-
-
117.00
Dezembro/2019
121.55
-0.25
121.80
Março/2020
-
-
125.40
 
  Café Londres Robusta
Ativo
Último
Var.
Fech.
Setembro/2019
1300
+4
1296
Novembro/2019
1318
+5
1313
Janeiro/2020
1346
+7
1340
Março/2020
1373
+6
1367
Maio/2020
1401
+7
1394
 
  Dólar
Ativo
Último
Var.
Fech.
Comercial
4.0790
-0.0110
4.0790
Paralelo
4.2900
+0.0000
4.2900
Turismo
4.2800
+0.0000
4.2800
PTAX800
4.09920
+0.00000
4.09920
PTAX850
4.09980
+0.00000
4.09980
 
  Dólar Futuro
Ativo
Último
Var.
Fech.
Outubro/2019
-
-
4079.500
Setembro/2019
-
-
4138.500
Novembro/2019
-
-
4090.000
 
  Índice Bovespa Futuro
Ativo
Último
Var.
Fech.
Outubro/2019
-
-
105225
 
essay writing paper speech essay thesis writing help multiple choice questions and answers academic report writing best assignment writing service uk reviews write my paper for cheap top rated resume writing services analytical essay introduction essay writing help


Início

Copyright © 2000 - 2014 - Café da Terra. Todos os direitos reservados.